Artigo: A libido em baixo não é um problema hormonal (na maioria das vezes)

A libido em baixo não é um problema hormonal (na maioria das vezes)
O Sistema Nervoso, a Resposta ao Stress e Porque Diminui Frequentemente a Libido Antes das Alterações Hormonais
A baixa libido é muitas vezes encarada como um problema hormonal.
Baixa testosterona.
Baixo nível de estrogénio.
Pouco desejo.
Mas a investigação recente e as observações clínicas sugerem cada vez mais que, para muitas pessoas, a libido não desaparece porque algo está biologicamente "errado". Altera-se porque o sistema nervoso está sobrecarregado.
Na Gribb, encaramos a libido não como uma questão de desempenho, mas antes como um sinal biológico .
Um reflexo de quão seguro, regulado e energeticamente sustentado o corpo se sente.
E, na maioria das vezes, o principal fator por detrás da diminuição do desejo não é apenas o desequilíbrio hormonal.
É stress crónico.
A Libido e o Sistema Nervoso: Uma Perspectiva Biológica
O desejo sexual não é puramente físico — é profundamente neurológico.
Para que o desejo surja, o sistema nervoso requer três condições fundamentais:
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Segurança — ausência de ameaça percebida
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Presença — a capacidade de permanecer ligado às sensações corporais.
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Disponibilidade de energia — recursos fisiológicos suficientes
Quando o sistema nervoso deteta stress — emocional, ambiental, cognitivo ou metabólico — prioriza as vias de sobrevivência em detrimento das vias reprodutivas ou de prazer.
Isto não é disfunção. É inteligência adaptativa.
O cérebro realoca energia para a regulação e proteção, em vez de para a intimidade ou a exploração.
Por outras palavras:
Um sistema nervoso stressado não "perde" a libido. Ele reorganiza as suas prioridades .
Stress, cortisol e desejo sexual: o que mostra a investigação
Uma das descobertas mais consistentes na investigação sobre a libido é a relação entre as hormonas do stress e a motivação sexual.
Níveis elevados de cortisol têm sido associados a:
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Redução da sinalização de dopamina (menor motivação e perceção de recompensa)
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Atividade da testosterona suprimida
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Resposta alterada ao estrogénio
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Redução das vias de excitação sexual
Estes efeitos manifestam-se em ambos os sexos e em todas as fases da vida.
Do ponto de vista neuroendócrino, o organismo interpreta o stress prolongado como um sinal de que a reprodução não é a prioridade principal. Mesmo quando alguém deseja emocionalmente a intimidade, a fisiologia pode ainda não se sentir suficientemente segura para tal.
Isto explica porque é que as tentativas de "corrigir" a libido através de pressão, comparação ou suplementação isolada parecem muitas vezes ineficazes.
O desejo não é motivado pela urgência.
Este surge da regulamentação.
Porque é que a síndrome de burnout se manifesta frequentemente como baixa libido?
Os estilos de vida modernos recompensam a produção constante:
Mais estímulo.
Mais desempenho.
Maior disponibilidade.
Mas a libido prospera em estados parassimpáticos — ambientes calmos, regulados e espaçosos, onde o sistema nervoso se sente apoiado.
O esgotamento profissional reduz, geralmente:
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Capacidade emocional
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Consciência sensorial
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reservas de energia física
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Capacidade de sentir prazer
Sem presença, o desejo não tem fundamento.
Muitas pessoas interpretam-no como uma falha pessoal ou uma deficiência hormonal.
Contudo, de uma perspectiva fisiológica, o corpo pode simplesmente estar a sinalizar a necessidade de recuperação e recalibração.
Rituais que estimulam a libido através da regulação do sistema nervoso
Evidências da neurociência comportamental sugerem que rituais diários previsíveis podem ajudar a alterar o tónus do sistema nervoso autónomo.
A libido tende a ressurgir quando o corpo sente:
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Suficientemente seguro para relaxar
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Descansado o suficiente para participar
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Nutrido o suficiente para manter a energia.
Pequenos rituais — especialmente aqueles que envolvem calor, ligação sensorial e consistência — proporcionam sinais repetidos de segurança.
Exemplos incluem:
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Preparar uma bebida funcional quente sem fazer várias coisas ao mesmo tempo
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Ao sair para a luz natural.
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Criar uma rotina previsível para relaxar à noite.
Estas práticas não “aumentam a libido” diretamente. Criam o ambiente interno onde o desejo se torna novamente acessível.
Cogumelos funcionais e a ligação entre stress e libido
Os cogumelos funcionais não devem ser considerados afrodisíacos ou intervenções hormonais.
No entanto, pesquisas recentes sugerem que certas espécies tradicionalmente utilizadas em tratamentos adaptogénicos para o bem-estar podem promover:
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Vias de adaptação ao stress
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Metabolismo energético
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Equilíbrio do humor
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Clareza cognitiva
Ao promoverem a resiliência fisiológica geral, podem contribuir indiretamente para uma melhor regulação emocional — que é fundamental para uma libido saudável.
Na Gribb, vemos os cogumelos funcionais como companheiros que auxiliam num estilo de vida mais amplo de equilíbrio , e não como soluções rápidas ou estimulantes de desempenho.
A perspectiva de Gribb: A libido como um sinal, não como um problema
O desejo não é algo que se obriga a voltar à existência. É algo que reaparece quando a pressão diminui e a segurança aumenta. Quando o sistema nervoso sai do estado de alerta crónico:
A curiosidade regressa.
A conexão aprofunda-se.
O prazer volta a ser acessível.
Por vezes, a intervenção mais eficaz não é adicionar mais estímulos —
mas diminuindo a velocidade o suficiente para que o corpo se sinta amparado.
Ponto-chave: A baixa libido está geralmente relacionada com problemas do sistema nervoso.
Embora os fatores hormonais possam desempenhar um papel, muitas experiências de baixa libido têm origem na fisiologia do stress crónico. Não se restaura o desejo através da pressão. Restaura as condições para que o desejo surja naturalmente.
Segurança.
Ritmo.
Regulamento.
E, partindo desta base, a intimidade deixa de ser uma questão de performance e passa a ser uma questão de presença.
Referências
-
Bancroft, J. (2009). Sexualidade humana e stress.
-
Chrousos, G. (2009). Stress e supressão hormonal.
-
Hamilton & Meston (2013). Stress e excitação sexual.
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McEwen, BS (2017). Carga alostática e fisiologia do stress.
-
Porges, S. (2011). A Teoria Polivagal.



